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A marca esta virando software, e surge o engenheiro criativo

A internet passa do retrieval para a geracao continua. A campanha deixa de ser um enxoval de pecas e vira uma semente de marca que alimenta sistemas generativos.

Por Leo Becker · 18 de julho de 2026

Cada resposta passa a ser criada na hora, personalizada para cada pessoa. Para o criativo, a campanha vira uma semente de marca que alimenta sistemas generativos capazes de produzir milhoes de variacoes consistentes. O novo desafio nao e producao, e governanca de marca. E a profissao que faz essa ponte e o engenheiro criativo.

O que dois anuncios da Adobe e o keynote da NVIDIA tem a ver com o futuro da industria criativa e com as nossas profissoes? Tudo. Para sacar isso, precisamos entender que a internet esta saindo de um modelo de retrieval, em que a resposta vem de dados ja armazenados num site, para um modelo de geracao continua, em que cada resposta e criada na hora, personalizada para cada pessoa, com o contexto e a lingua dela.

Da peca avulsa a semente de marca

Para o criativo, um exemplo pratico: hoje, para fazer uma campanha, a gente monta um enxoval de centenas de pecas, com imagens, tamanhos e formatos diferentes. Nessa nova logica, o que a gente constroi e uma semente de marca. Diretrizes visuais, tom de voz e o DNA do produto, que alimentam sistemas generativos capazes de criar cada peca, video ou narrativa de forma consistente e personalizada. A NVIDIA chama isso de gemeo digital, e a parceria com a Adobe adiciona uma camada chamada Brand Intelligence, que une dados de marca e comportamento a esses sistemas.

O novo desafio e governanca

E humanamente impossivel validar milhoes de pecas criadas por IA. Por isso, o desafio deixou de ser producao e virou governanca de marca: construir sistemas auditaveis, consistentes e seguros em toda a producao autonoma. E ai vem a pergunta certa: quem vai construir esses sistemas para Havaianas, Natura, Osklen? Quem vai traduzir estetica, conceito e alma de marca para uma linguagem que a maquina entende?

Essa classe nova de profissional e o que eu chamo de engenheiro criativo, e a Adobe oficializou como creative technologist. Mesma pessoa, mesmo trabalho: trafegar entre design, fotografia, direcao criativa e arquitetura de sistemas, mantendo a alma da criacao, que continua humana.

Tarefa e proposito

Para de ter medo de ser substituido e separa tarefa de proposito. Fazer uma peca no Photoshop e tarefa. Decidir por que aquela peca existe, para quem ela fala e em que contexto ela aparece e proposito. Tarefa vai ser automatizada. Proposito e humano e vai escalar. Resumo da opera: a marca esta virando software, um sistema vivo com algoritmo que rege decisoes, e nao mais um PDF guardado na gaveta.