LBK Mag #02: Jev decola, Muse Charm no chaveiro, Elyx dos criadores do Sketch

Um resumão do que rolou na semana 39 de 2026: 15 notícias de IA, design e indústria criativa, com links diretos e resumos.

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LBK Mag #02: Jev decola, Muse Charm no chaveiro, Elyx dos criadores do Sketch

Chegou a segunda edição da sua revista semanal sobre design, tecnologia e cultura digital, com um resumão do que rolou na semana 39 do ano de 2026.

  1. Jev, um suposto novo tipo de modelo de IA que pode abrir outros caminhos de pesquisa
  2. Meta Connect 2026: agente Muse e hardware de IA
  3. A IA não quebrou a indústria criativa, nós quebramos
  4. O maior risco da campanha global é ser segura demais
  5. WPP abre em Londres seu primeiro centro de produção de anúncios com IA
  6. Meta lança app que cria jogos com IA para jogar no Facebook e Instagram
  7. D&AD 2026: campanhas de Coinbase, DECIEM e AXA levam os quatro Black Pencils
  8. Runway: DIFFUSE, plataforma para contratar talentos de IA
  9. CICLOPE 2026: shortlist mais diversa da história e nova categoria de AI Craft
  10. Snapchat: 42% veem microdramas todo dia, e 69% pagam por episódios
  11. Elyx: criadores do Sketch juntam design e código
  12. Google: Gemini 3.8 ganha vozes sob medida e avatar em tempo real
  13. YouTube: os principais anúncios do Made On YouTube 2026
  14. OpenAI: divisão de produtos para criadores com cofundador do Patreon
  15. Anthropic simula três cenários de IA para empregos e salários nos EUA até 2030

Jev, um suposto novo tipo de modelo de IA que pode abrir outros caminhos de pesquisa

Lançado em 15 de setembro, o Jev, da TypeSafe AI, virou febre entre desenvolvedores: em 24 horas no AI Gateway da Vercel, quase 13% das equipes pagas já o usavam, a adoção mais rápida da história da plataforma. A empresa foi cofundada por Diogo Almeida, ex-OpenAI, que ajudou a construir o ChatGPT. O Jev não escreve nada. Recebe o estado de um programa e perguntas fechadas e devolve uma escolha, uma nota ou uma probabilidade, sempre com um grau de confiança. Por trás está um método de treino próprio, o RLCD.

Classificar, dar nota e rotear não é novidade. Classificadores fazem isso há anos, mas precisam ser treinados para cada tarefa. Com a chegada dos LLMs, muita gente passou a usar modelos gigantes para essas decisões pequenas, pagando caro e esperando por um simples sim ou não. O Jev tenta juntar os dois mundos: aceita perguntas novas sem treino, como um LLM, e responde rápido e barato, como um classificador. A outra diferença está no treino. Em vez de premiar respostas que agradam avaliadores humanos, como no RLHF, a TypeSafe diz que premiou a calibragem: um grau de confiança que bate com a taxa real de acerto. É o que deixa o software agir sozinho quando a confiança é alta e repassar o caso quando é baixa.

Por que virou febre? O Jev chegou em pleno auge dos agentes, que encadeiam muitas decisões pequenas, e saiu de graça no AI Gateway da Vercel até 25 de setembro, justamente o período em que a adoção recorde foi medida. Depois, custa US$ 0,042 por milhão de tokens de entrada, e a saída não é cobrada. A empresa também chegou com dinheiro: US$ 40 milhões de seed, em rodada liderada pela DCVC. Falta prova independente: não há paper nem relatório técnico, o modelo de base não é revelado e os números de até 194 vezes mais rápido vêm de testes da própria equipe. Para o desenvolvedor Armin Ronacher, o Jev “delega um pouco o problema da alucinação ao usuário”.

Meta Connect 2026: agente Muse e hardware de IA

Na Meta Connect 2026, a Meta anunciou o agente de IA Muse como centro de seu pivô estratégico do metaverso para a IA. O Muse agora opera via Meta Secure VM, processo privado inacessível até para a Meta, e expandiu sua disponibilidade para o Canadá. Novas parcerias com Walmart, Expedia e Sephora, entre outras, ampliarão sua funcionalidade agêntica, incluindo a criação de endereços de e-mail para os agentes. No hardware, destacam-se os Ray-Ban Meta Gen 3 com áudio espacial Dolby Atmos, óculos apenas de áudio e o modelo Adventurer (US$ 249). A empresa também apresentou óculos de VR cinco vezes mais leves que o Quest 3, utilizando um modelo tethered com processamento e bateria em um pack externo.

A Meta também revelou o Muse Charm, um aparelho de bolso feito só para conversar com o agente. Do tamanho de um Apple Watch, com um cordão no lugar da pulseira, ele tem uma tela de duas polegadas ocupada por um avatar personalizável (do mascote Jolly a uma torrada de óculos escuros), sensor de digital no canto para chamar o Muse sem desbloquear o celular e 5G embutido. Segundo Zuckerberg, para quem não está de óculos, ele será “de longe o jeito mais rápido de falar com o seu Muse e mostrar a ele o que está acontecendo ao redor”. O design, que rendeu comparações imediatas com o Tamagotchi, saiu do novo time liderado por Alan Dye, ex-chefe de design de interface da Apple. O Charm chega em dezembro, a tempo das festas, ainda sem preço.

A IA não quebrou a indústria criativa, nós quebramos

O relatório Brand Perspectives 2026, da MikeTeevee, ouviu líderes de criação e marketing de marcas como DoorDash, Wayfair, HelloFresh, O2 e Intuit e conclui que a IA não criou os problemas da indústria criativa, apenas os acelerou. A DoorDash ganhou 20% de velocidade criativa, mas James Hurst, da HelloFresh, vê equipes paralisadas diante de variações infinitas a custo quase zero e diz que a IA “baixou o piso e também o teto”. O ponto mais grave é o corte de cargos juniores, nos quais se aprendia gosto e julgamento ao longo de uma década. E a eficiência não chegou aos processos: segundo Thomas Ranese, da Intuit, todos se dizem mais eficientes, mas trabalham o dobro.

O maior risco da campanha global é ser segura demais

O relatório World Class, da Publicis London com Effie e System1, cruzou 1.262 cases do Effie, 124 deles de campanhas em vários países, com testes de anúncios respondidos por 250 mil pessoas. As campanhas globais constroem mais marca que as locais, mas tendem a render menos resultado de negócio, porque perdem um pouco de reconhecimento e de emoção pelo caminho. A saída tem duas etapas: primeiro, ativos de marca inconfundíveis; depois, o que a agência chama de Creative Deviance, fugir do padrão da categoria com emoção, surpresa, provocação, impacto visual ou quebra de regra. O terço mais ousado reportou 57% mais resultados de negócio, e nenhuma campanha do terço mais conservador registrou aumento de lucro.

Capa do relatório World Class: How to Move the World, da Publicis London em parceria com Effie e System1

WPP abre em Londres seu primeiro centro de produção de anúncios com IA

A WPP abriu em Londres um centro de produção de anúncios baseado em IA, a primeira instalação do tipo dentro de seu plano de expansão global. A unidade integra tecnologias de produção via inteligência artificial, estúdios de fotografia modulares e capacidades de pós-produção para acelerar a entrega de anúncios de alta qualidade em redes sociais e outras plataformas. A iniciativa faz parte do plano de retorno à lucratividade da empresa e integra a WPP Production, divisão criada no início do ano pela CEO Cindy Rose para consolidar as capacidades de produção do grupo.

Meta lança app que cria jogos com IA para jogar no Facebook e Instagram

A Meta lançou o Horizon Create, app móvel que gera jogos 2D ou 3D via linguagem natural, e o Horizon Studio, versão para navegador com controles visuais e de script detalhados. Ambas as ferramentas compartilham o mesmo backend, permitindo a migração de projetos entre mobile e browser. Os jogos criados serão distribuídos no Facebook, Instagram e Horizon, permitindo que usuários entrem em sessões multiplayer diretamente pelo feed do Instagram. A Meta afirma que a descoberta de títulos dependerá de métricas de engajamento, estabilidade e relevância cultural. O sistema inclui revisões pré-publicação e classificações de idade automatizadas, visando transformar o feed social em uma loja de jogos imediata.

D&AD 2026: campanhas de Coinbase, DECIEM e AXA levam os quatro Black Pencils

O D&AD entregou quatro Black Pencils em três projetos durante sua cerimônia de 2026 em Londres. O projeto “Your Way Out”, da Isle of Any para a Coinbase, venceu em Efeitos Visuais e Design de Produção. “The Periodic Fable”, da Uncommon Creative Studio para a DECIEM, venceu em Direção de Arte, e “Three Words”, da Publicis Conseil para a AXA, venceu em Impacto. A designer Irma Boom recebeu o President’s Award. No ranking de agências, a Uncommon Creative Studio London foi a Advertising Agency of the Year, enquanto a DENTSU INC. (Japão) venceu como Design Agency of the Year. A Apple foi eleita Brand of the Year e a Unilever, Client of the Year. Os Estados Unidos lideraram o ranking por país.

Runway: DIFFUSE, plataforma para contratar talentos de IA

A Runway lançou o DIFFUSE, uma plataforma projetada para que agências, marcas e estúdios possam buscar, conectar-se e contratar talentos nativos de IA. A iniciativa surge em um cenário onde a demanda por essa nova força de trabalho criativa está acelerando, contrastando com as preocupações de que a IA substituiria os profissionais da área. O DIFFUSE visa conectar esses novos perfis de talentos a oportunidades emergentes no mercado. Interessados podem se registrar e obter mais informações através do link disponibilizado pela empresa.

CICLOPE 2026: shortlist mais diversa da história e nova categoria de AI Craft

O CICLOPE Awards revelou a shortlist de 2026, a mais diversa da história, com finalistas de 25 países, incluindo Nova Zelândia, Taiwan, Índia e Peru. A edição apresenta recorde de participação e nova estrutura, com categorias dedicadas a AI Craft, For Good (Sustentabilidade e Impacto Social) e Short Film (Documentário e Experimental). O júri, composto por especialistas em mais de 50 categorias, é liderado por presidentes como Shu Hung (AKQA US) em AI Craft e Guillaume Marien (Mathematic Studio) em Post Production & Animation. A rodada final de julgamento ocorrerá presencialmente em Berlim no próximo mês, com os vencedores anunciados em cerimônia apresentada por Sophie Duker.

Snapchat: 42% veem microdramas todo dia, e 69% pagam por episódios

A pesquisa The Short Drama Revolution, feita pela Ipsos sob encomenda da Snap, ouviu 3.000 pessoas nos EUA, no Reino Unido e na Arábia Saudita que assistem ou têm interesse em microdramas. Os principais pontos:

  • O formato: séries verticais com episódios de 1 a 15 minutos e 50 a 100 capítulos, feitas para prender o espectador no primeiro minuto.
  • Hábito diário: 42% dos entrevistados assistem todo dia (58% na Arábia Saudita), e 71% começaram no último ano.
  • Gasto: 69% dos espectadores no Snapchat pagam todo mês por episódios, com moedas para liberar capítulos ou assinatura, e 56% gastam mais que no ano passado.
  • Gêneros: romance com bilionário ou CEO (45%), conflito familiar (43%) e máfia ou romance sombrio (42%) lideram.
  • O que prende: o primeiro clique vem da vontade de ver um segredo revelado (49%) e de clipes que começam no ponto alto (44%); até o fim, segura o episódio que termina numa reviravolta (43%).
  • Compartilhamento: depois de ver um clipe, 74% dizem que provavelmente o mandariam a amigos e família, e 64% se interessam por lentes AR da série.
  • Idioma: 42% dos americanos preferem dublagem, enquanto 57% dos sauditas preferem o idioma original com legenda.
Capa da pesquisa The Short Drama Revolution & The Snapchat Advantage, da Snap com a Ipsos

Elyx: criadores do Sketch juntam design e código

Os criadores do Sketch estão desenvolvendo o Elyx, uma ferramenta de design de produto com arquivos locais que podem coexistir com o código-fonte. O software combina um canvas visual com componentes, variantes e tokens, utilizando o formato de arquivo legível .elyx e ferramentas para agentes de IA. Os arquivos, que conectam telas e fluxos, podem ser armazenados localmente ou em repositórios Git para fornecer um contexto de design compartilhado entre designers, desenvolvedores e agentes. Embora a proximidade entre design e código possa facilitar a revisão de alterações, a ferramenta não garante que a implementação final corresponda ao design. O acesso ao beta privado está aberto via site, com convites enviados por e-mail.

Google: Gemini 3.8 ganha vozes sob medida e avatar em tempo real

Em dois dias, o Google levou a família de áudio do Gemini 3.8 da voz ao rosto, com os modelos de voz Flash TTS e Flash-Lite TTS e o Live Avatar. Os principais pontos:

  • Vozes do zero: o Flash TTS cria vozes a partir de uma descrição em texto, em mais de 100 idiomas, e dirige cada fala, com ritmo, emoção e até risadas.
  • Escala: o Flash-Lite TTS, mais barato, atende dublagem em volume e agentes de voz; a biblioteca tem mais de 2.000 vozes prontas.
  • Clonagem com consentimento: 30 segundos de áudio bastam para replicar uma voz, desde que o dono grave uma autorização.
  • Qualidade: os dois lideram o índice de qualidade da Hume AI e estão entre os preferidos em português do Brasil no Voice Arena.
  • Um rosto na conversa: o Live Avatar gera um personagem em vídeo que ouve, vê e responde quase em tempo real, com sincronia labial em 97 idiomas. Já está no Gemini Enterprise.
  • Avatar da marca: empresas criam avatares a partir de uma imagem de referência, por enquanto só com liberação do Google.
  • Rastreabilidade: todo áudio e vídeo sai com a marca d’água invisível SynthID.

YouTube: os principais anúncios do Made On YouTube 2026

O YouTube apresentou no Made On YouTube 2026, em 23 de setembro, ferramentas para quem assiste, cria e vende na plataforma. Os principais anúncios:

  • Feeds personalizados: abas na página inicial criadas com pedidos em linguagem natural, como “documentários longos para relaxar à noite”. Chegam em breve aos EUA.
  • Edição por conversa: um assistente com Gemini no Shorts e no YouTube Create corta pausas, sincroniza a música com a batida e reordena cenas por comando.
  • YouTube Studio: o Ask Studio comenta rascunhos, gera miniaturas no estilo do canal e em breve testa até três cortes do mesmo vídeo.
  • Proteção: a detecção de uso indevido do rosto do criador chega ao celular e, ainda este ano, passa a analisar a voz junto com o rosto.
  • Lives: dublagem automática em tempo real (piloto no início de 2027), disputas entre criadores em lives conjuntas (2027) e reação ao vivo a vídeos longos.
  • Shorts em temporadas: séries com temporadas e episódios, de olho nos microdramas, que passaram de 6,5 bilhões de visualizações no YouTube no primeiro semestre.
  • Afiliados: o YouTube Shopping chega a 35 países até o fim do ano, e a marcação de produtos da Amazon vem para o Brasil nas próximas semanas.

OpenAI: divisão de produtos para criadores com cofundador do Patreon

A OpenAI contratou Sam Yam, cofundador do Patreon, para liderar a nova divisão de produtos para criadores. Yam deixa o Patreon após 13 anos e traz consigo Drew Rowny e Shannon Ma, ex-chefes de produto e engenharia da plataforma. O objetivo é desenvolver ferramentas que Yam descreve como “criticamente valiosas” para criadores e comunidades, aproveitando a evolução dos modelos de IA em texto, imagem, áudio e vídeo. A movimentação ocorre em um cenário de tensão entre empresas de IA e criativos devido a questões de direitos autorais. Yam afirma que a criatividade humana permanece primordial e vê a IA como uma ferramenta criativa. Novidades podem ser apresentadas no OpenAI DevDay na próxima semana.

Anthropic simula três cenários de IA para empregos e salários nos EUA até 2030

A Anthropic publicou o estudo Economic Scenarios for Transformative AI, um modelo do efeito da IA sobre empregos, salários e crescimento nos EUA até 2030, com um simulador interativo. No cenário modesto, com impacto parecido com o da internet, o PIB fica 1,6% maior. No substancial, a IA é capaz de fazer metade do trabalho de conhecimento, a economia cresce o dobro do normal e os salários nessas funções param de subir. No extremo, o PIB cresce 15% ao ano, a parte da renda que vai para os trabalhadores cai de 60% para 45% e quase um em cada cinco trabalhadores do conhecimento fica sem emprego. Para 10.980 americanos ouvidos, a resposta típica ficou perto do cenário substancial. Os autores avisam: cenários não são previsões.

Ilustração do estudo Scenarios for our Economic Future, da Anthropic, com linhas coloridas que se abrem em leque

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bj na bundinha.